História de Nossa Senhora D’Oropa

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Imagem de Nossa Senhora D’Oropa

 

Em 369, foi construída, no vale d’Oropa, Itália, a primeira igreja para a imagem de Nossa Senhora. Maria sempre pediu uma igreja!

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Santuário Nossa Senhora Oropa – Piemonte – Itália (Ano 369)

Ao nordeste de Biella, província do Piemonte, fica o vale d’Oropa, e à altura de 1.200 metros, magnificamente situado, vemos o santuário em que se venera uma milagrosa imagem de Nossa Senhora que, segundo uma antiga tradição, foi levada por Santo Eusébio da Terra Santa para o vale d’Oropa.

Por causa de seu feitio e de sua cor (é de cedro bem escuro), esta imagem é tida por muito antiga, e pode ser muito bem da mesma época das milagrosas “Madonas pretas” veneradas nos célebres santuários de peregrinações da França e da Alemanha.

Em 369, Eusébio foi forçado, por causa dos arianos, a ficar menos em evidência: fugiu, então, para as montanhas do norte de Biella, tendo sido bem acolhido pelos montanheses. Levou consigo sua Madona e colocou-a na cavidade de um grande rochedo. Porém, como as habitações estavam situadas na outra margem, mudou-se para lá e levou sua imagem para uma cabana abandonada e semidestruída, que
era encostada a uma pedra ao abrigo dos fortes ventos do norte. Eusébio melhorou a cabana e colocou nela um altar feito de uma pedra toscamente talhada. Essa pedra e a cabana, quando a basílica foi construída, ficaram em seu interior. Tanto na pedra em que primeiro colocou Eusébio sua imagem, como na outra que está atualmente na basílica, há cinzelada uma cruz de forma primitiva, o que fez os arqueólogos assinalarem Oropa como um lugar de culto cristão já no tempo de Eusébio. Portanto, o santuário de que tratamos é considerado um dos mais antigos lugares de peregrinação do Ocidente. Na pedra que se encontra na basílica está gravado o ano de 369.

Santo Eusébio foi o primeiro a fundar no Ocidente um convento (em Vercelli) e, quando mais tarde voltou para o vale d’Oropa, reuniu em torno de si fiéis discípulos que depois viveram como eremitas, seguindo as regras de São Bento. Esses eremitas cuidaram do santuário até o século XV, suportando os efeitos das invasões dos godos, dos hunos e dos lombardos, completamente isolados do resto do mundo católico. O santuário não foi atingido pelas devastações dos bárbaros, pois estava situado na montanha, longe da passagem dos destruidores. E tempo difícil viveu novamente o país, quando os sarracenos ocuparam o Piemonte, do ano 904 a 1006.

Apenas no século XI pôde afinal o vale d’Oropa ter paz e sossego, começando as peregrinações a regularizar-se, até que a igreja e o convento precisaram ser aumentados. No século XVII, foram chamados para administrar o santuário padres seculares, que seguiram as regras de Santo Eusébio, sendo em 1918 substituídos por redentoristas.

Há uma lenda (do tempo de Santo Estéfano) que diz o seguinte: tinham resolvido transportar a imagem milagrosa para Biella, porém, mal tinham caminhado meia légua, a imagem tornou-se pesadíssima, impossível de ser carregada! E assim que determinaram levá-la de novo para o lugar onde sempre estivera, voltou ao seu peso natural!

Para perpetuar a lembrança desse milagre, construíram, no lugar em que a imagem parou, uma capela que ainda hoje os peregrinos podem contemplar quando sobem para o santuário. É conhecida como a capela do Transporte.

Em 1599, a cidade de Biella, para se ver livre da peste, comprometeu-se a tomar sobre si uma parte dos encargos para a manutenção do santuário e a aceleração da construção da basílica. No fim da última guerra mundial, a imagem milagrosa foi escondida, e colocada em seu lugar uma cópia muito bem feita. Passados os dias de apreensões e cuidados, a imagem verdadeira foi novamente colocada em seu lugar, mas sem a coroa e seus valiosos enfeites.

Em 1600, foi celebrada a primeira missa na basílica, e em 1620 a imagem foi coroada pela primeira vez, na presença de 25 mil pessoas, tendo sido operados sete milagres nessa ocasião. Fizeram a segunda coroação em 1720, e os peregrinos que assistiram a ela tiveram a felicidade de ver, no ato da coroação, uma coroa de estrelas sobre Oropa, bem como um cometa que parecia querer cair naquele
privilegiado lugar.

Em 1820, a festa da coroação reuniu 100 mil fiéis no vale d’Oropa. A quarta coroação coincidiu com o tempo difícil dos primeiros anos após a guerra mundial. O cardeal Isodoro Valfré presidiu, como legado do Santo Padre, a grandiosa solenidade, na qual tomaram parte muitos cardeais, bispos e outras altas dignidades da Igreja católica.

Em 1599, a cidade de Biella fez o voto de ir em peregrinação anualmente ao santuário d’Oropa, se Nossa Senhora a livrasse novamente (pois já a tinha livrado em outras ocasiões) do flagelo da peste, e esse voto tem sido mantido até os dias de hoje.

No livrinho Il Santuário di Oropa, Can. Mario Trompetto informa que o rosto e as mãos da milagrosa imagem nunca são atingidos pelo pó, apesar de ninguém jamais espaná-los. Qualquer peregrino pode contemplar esse milagre com os próprios olhos.

Hoje o santuário d’Oropa é célebre principalmente na Itália. Além do convento e das muitas capelas anexas à basílica, foi construída outra grande igreja, e de sua alta cúpula rezou-se a primeira missa em 21 de setembro de 1941.

Das grandes procissões realizadas no decorrer do ano litúrgico salientam-se as que se fazem em 21 de novembro, 15 de agosto e 8 de setembro, assim como a procissão da peste, dos bielenses, no dia 1º de maio.